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O combate à desertificação do interior do país, a criação de empregos em número capaz de ir contrariando a actual situação de desemprego galopante, o incentivo à fixação das populações que ainda não emigrara ou se deslocaram para o litoral e o esforço do equilíbrio das assimetrias sociais e económicas, passa forçosamente por uma nova filosofia de vida e por um novo comportamento político: a participação integral do cidadão nos programas de desenvolvimento local.

É um facto que os governos europeus se têm preocupado em promover programas de desenvolvimento regional, para o que concorrem as autarquias e algumas associações de desenvolvimento, de carácter tipificado de “não governamental” e “não partidário”.

Fica, porém, de fora deste processo, aqueles que deveriam ser o seu motor: os proprietário dos terrenos e dos imóveis, os pequenos aforradores, os emigrantes, os comerciantes e pequenos industriais e os pequenos investidores locais.

As actuais associações de desenvolvimento regional, exclusivamente compostas por Câmaras Municipais, financiam-se com recurso às candidaturas aos programas governamentais e europeu, sujeitando-se ao rastreio das verbas, com pesados custos de administração e de resultados práticos que ficam muito aquém do desejado; são espartilhados pelos interesses das câmaras municipais que, em muitos casos, são mais “sensibilizados” pelos interesses ou “vocações” dos presidentes das autarquia que as necessidades e das potencialidades locais.

Poder-se-ia fazer aqui uma referência comparativa ao “regime” dos Planos Directores Municipais de muitas (18!!!) câmaras que ainda se encontram por concluir em consequência das pressões dos lobbies políticos ou dos considerados “dinossauros” autárquicos e, de muitos outros em revisão, par rectificação dos “erros cometidos”.

Talvez seja esta uma das causas do menor sucesso das associações de desenvolvimento regional.

O conhecimento adquirido, durante alguns anos, no terreno, com as populações locais e com os “disponíveis” para estruturarem e desenvolverem programas de desenvolvimento são uma realidade diferente da que subentende a corporiza os objectivos dos programas financeiros elaborados e aplicados no terreno, ou, daqueles que podiam e deviam corporizados e não o são.

Factores há que terão que ser analisados com sensibilidade e aproveitamento da técnicas, tradições, produtos e culturas locais que, gradualmente entrosados com tecnologias mais recentes, permita a recuperação do interesse individual, das culturas locas, do oferta da ocupação artesanal, a integração dos menos capazes, da dignificação do trabalho e do estabelecimento de “bolsas de valores” susceptível do recurso ocupacional e laboral em situações de crise, de incompatibilidade.

É nesse sentido de dupla, mas paralela, ou complementar finalidade que se pretende criar uma nova figura financeira compatível com o desenvolvimento tecnológico e o aprofundamento artesanal, a criação de novas profissões, e a transferência e actualização das técnicas ancestrais, a valorização dos produtos naturais “limpos” e a introdução de indústrias familiares da tecnologia de ponta, a recuperação patrimonial e as indústrias e lazer e de bem-estar, a agrossilvo-pecuária autóctone e as indústrias nacionais de interesse estratégico.

Falamos da Sociedade Anónima de Desenvolvimento Local.

Uma estrutura aberta ao capitais públicos e privados, nacionais e estrangeiros, com capacidade de concorrer a fundos comunitários, de contrair empréstimos bancários, com comparticipação das autarquias, e capaz de recolher capitais dos pequenos aforradores, das pequenas poupanças dos emigrantes e dos comerciantes.

Uma estrutura que permita ao industriais locais benefícios fiscais ou apoios institucionais pela aplicação de capitais.

Em eu a propriedade imobiliária possa ser responsabilizada em termos de capital, bem como a prestação de trabalho ou de valores patrimoniais, que possam representar capital.

A gestão feito no regime das sociedades anónimas.